quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Quando eu morrer, saiba que...

A mulher e o marido conversavam:

– Amor – disse ela –, se um dia eu morrer, precisarei que você saiba de uma coisa.

– Como assim “se” um dia você morrer? Um dia, você vai morrer!

– Ora, não zombe de mim! É só o jeito de falar. Digamos, então, que QUANDO eu morrer, precisarei que você saiba de uma coisa.

– Melhorou, mas há outro problema. – Ele ria, divertindo-se. – Esse verbo no futuro não faz sentido. Como você “precisará” que eu saiba de uma coisa se você já vai estar morta?

– De novo, era só o jeito de falar...

– Mas, meu bem, mortos só precisam de um caixão confortável e silêncio na tumba.

– Você vai passar o dia a fazer piadas ou vai ouvir o que você precisa saber?

– Ok. Me diga, vá lá.

– QUANDO eu morrer, PRECISO que você saiba de uma coisa. Melhorou?

– Não. Agora, tem um problema de lógica temporal. Você está me dizendo que quando algo acontecer no futuro, você precisa que eu saiba de uma coisa no presente. Sem sentido. É claro que simplesmente mudar o verbo para o futuro não adianta, porque, como eu disse, mortos não precisam de nada. Porém, como você falou, parece que você está morrendo agora e, por isso, usou “preciso”, no presente. Tenta de novo, amor.

Dessa vez, o marido não ficou convencido de sua fala e percebeu que não tinha mais argumentos para interrompê-la. Resolveu ouvi-la, por fim. Mas a esposa se irritou e disse:

– É a última vez que vou falar e não quero saber se você vai ficar zombando de mim. É a última vez mesmo! E vou falar como eu quiser!

– Ok, não precisa se irritar. Você sabe que eu só estava brincando. Me diz, amor, o que você quer que eu saiba.

– Bem, quando eu morrer, quero que você saiba que... Ah, dane-se! Perdi a vontade de falar.

E ela morreu.

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