quarta-feira, 26 de novembro de 2014

E = mc²

Ela olha a cama da patroa como quem há meses vem maturando uma ideia que lhe parece apenas estúpida. Dizer que se trata de uma atração pelo proibido seria reducionista: mais que isso, é um desejo por outra vivência. Fazer aquilo seria uma transgressão, mas também um segredo particular: não há a menor chance de alguém descobrir. É ainda metade da tarde e a patroa demorará a chegar; a janela que, ademais, pode ser fechada, não dá para outros apartamentos, mas para uma imensidão azul que só depois dos trinta anos de idade ela pôde associar ao mar; não há câmeras, nenhum sistema de monitoramento: tem certeza de que ninguém descobriria, mas e sua consciência? Como lidar com ela? Não sob um ponto de vista ético ou moral, não: sua consciência não pesaria, não é isso. O problema é que ela teria simplesmente vivido aquilo, experimentado aquele sabor que nunca havia sido acessível a seu paladar. Dessa consciência  no sentido de conhecimento, percepção , ela não poderia se livrar. Nunca mais.

Balança a cabeça, em um gesto imitado. Todos sabemos que, para afastar um pensamento, o mero fato de balançar a cabeça não é garantia de nada, mas ela precisa desse ato físico. Balança-a até desarrumar os cabelos, grossos, duros, que só se mexeriam com uma chacoalhada dessas, forte, quase desesperada, cabelos que nada têm a ver com os da patroa, lisos, claros, macios, que se moveriam com a mais leve brisa do mar. Ela troca o jogo de cama, como sempre: a fronha dos travesseiros, os lençóis, as cobertas, a manta que compõe uma linha perpendicular em relação à janela por onde entram os gritos alegres vindos da praia. Ela tenta se focar nesses sons, a fim de afastar de uma vez por todas aquela ideia que não a deixa em paz. Debruça-se no parapeito, pergunta-se curiosamente o que fazem da vida aquelas pessoas que estão a jogar vôlei, correr, andar de bicicleta, em plena tarde de quarta-feira. Não que esteja se comparando com eles; sabe que pertencem a mundos diferentes, que, de grosso modo, podem ser divididos entre eles ricos e ela pobre. Porém somente essa rudimentar explicação não lhe basta: que fazem eles? São estudantes? Bancados pelos pais? Trabalham de casa? Meio período? Autônomos? Que diabo explica que pessoas de diferentes idades estejam ali àquela hora?

Dá as costas à janela, revê a cama e a ideia lhe assalta de novo. Não pode mais resistir. Teve uma pessoa famosa  ela não sabe quem foi Oscar Wilde  que já dissera que a única maneira de vencer uma tentação é cedendo a ela. Embora saiba que, mesmo com a janela aberta, ninguém a veria, tranca-a. Fecha ainda as cortinas e o blecaute. Cerra a porta do quarto, roda a chave, fica na perfeita escuridão, resguarda-se como pode. Ok, não é nada errado. Passou anos trocando cobertas e lençóis daquela cama, já teve por inúmeras vezes contato físico com aquele móvel que tanto fascínio lhe inspira. Agora, dará apenas um passo além nesse trajeto natural, mas, ainda assim, as mãos, os braços e as pernas tremem. Arqueia-se lentamente, é um caminho sem volta, e senta-se na beirada da cama. Tira a sandália, respira fundo e, de uma só vez, para vencer o medo, atira-se para trás e deita-se. Reajeita o corpo, posiciona o travesseiro embaixo da nuca, estica as pernas e sente o contato do colchão em suas costas. Aos poucos, os músculos, tensos, vão relaxando e cedendo ao toque macio do jogo de cama de mais de mil fios. Por lá ela fica, durante vários minutos, sentindo-se transportada e pertencente a um mundo e a uma sociedade que não sabe denominar.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Até o dia em que o cão morreu

“Até o dia em que o cão morreu” não está entre os meus livros preferidos, mas está entre aqueles com que mais me identifiquei. Com raras exceções, seu narrador poderia ter sido eu. Qual o sentimento de quando se lê algo tão próximo do que você próprio é?


Você já deve ter passado por isso: cursou uma faculdade, se formou, saiu ou quis sair de casa, morar sozinho, mas, para isso, deveria prosseguir com o fluxo natural das coisas, isto é: trabalhar. Você tinha conhecimentos e habilidades para conseguir um trabalho, mas você não queria. Trabalhar é sempre um esforço que se faz para os outros, raramente é por uma causa que te diga respeito. Você só escolhe trabalhar porque isso é pré-requisito para algo que realmente te importa: morar sozinho, sua liberdade.

Você já deve ter ficado ansioso, agitado, ausente da sua zona de conforto, porque algo te retirou daquele cotidiano em que nada acontecia, da mesmice de todos os dias. Mas essa agitação, ao contrário do que pode acontecer com muitas pessoas, não te faz feliz. O que você mais queria era sua apatia de volta. Do mesmo modo, você já deve ter gostado muito de uma pessoa, mas não queria oficializar nenhum relacionamento, justamente porque esse compromisso seria um eterno adeus àquele estado apático que você tanto amava. Um namoro seria ceder a uma infinita ansiedade, pela qual você não estava preparado e que, definitivamente, você não desejava.

Você já deve ter passado horas na janela do seu apartamento, vendo uma paisagem feia, telhados sujos, carros numa velocidade estúpida. Você já deve ter pensado que isso era solidão, que você precisava de uma companhia, mas que, afinal de contas, era melhor ficar sozinho mesmo. Solitário, apático e inerte: assim, você estava feliz. Do mesmo modo, você andava pela rua sem rumo, somente porque não queria voltar para casa, estando feliz com seus próprios pensamentos e com suas pernas que te guiavam sabe-se lá para onde.

Se você está pensando que não, que nunca passou por isso, que eu sou um doido, talvez não vá gostar de "Até o dia em que o cão morreu" (adaptado para os cinemas com o título "Cão sem dono), romance do brasileiro Daniel Galera, 35 anos, que o publicou quando ainda tinha vinte e poucos, o que, por si só, já salta aos olhos. No meio literário, constituído por velhos e mortos, ler uma obra-prima de um garoto desses é um sopro na alma.

………

Esse texto foi publicado no Jornal Lago Notícias em novembro de 2014. Essa e outras colunas podem ser acessadas em seu site.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Brincadeira de mau gosto

– Que brincadeira de mau gosto! – foi o que Marcio ouviu de seu amigo, ao contar-lhe a peça que planejava pregar em sua esposa naquela noite. Como ele saía mais cedo do que ela do trabalho e, por isso, chegava antes em casa, pretendia sujar-se de ketchup e esperá-la deitado no chão, fingindo-se de morto e ensanguentado.

– É uma brincadeira de mau gosto! – repetiu o amigo. – Imagina o susto que ela vai tomar! Pode até pôr em risco a saúde da coitada!

– Mas é rápido! – respondeu Marcio. – Logo depois do susto, eu me levanto e revelo a pegadinha. Mas o mais importante é que ela pense que eu não estou apenas desacordado, mas efetivamente morto.

– Que estupidez! E como pretende isso?

– Ah, tenho praticado apneia voluntária em minhas aulas de mergulho. Trata-se, você sabe, da técnica de prender a respiração. Já consigo ficar dois minutos sem respirar e acho que ainda posso evoluir. Mas dois minutos já me bastam. São suficientes para o susto que ela vai tomar. Depois, me levanto, abraço ela e vamos rir juntos da situação.

Enquanto Marcio ria, imaginando a cena, seu amigo balançava a cabeça, em gesto de reprovação.

A noite chegou e Marcio já estava em casa, pintando-se de ketchup e estirando-se no chão, bem perto da porta da entrada, à espera de sua esposa, que deveria chegar dentro de dez minutos, aproximadamente. Quando ouviu, por fim, o portão da garagem de casa se abrir, fechou os olhos e, quando o carro da mulher estacionou, tomou fôlego e prendeu a respiração. Nenhum músculo de seu abdômen se movia. Estava completamente imóvel.

Ao abrir a porta de casa, sua esposa não conteve um grito agudo e prolongado. Marcio sentiu vontade de rir, mas se dominou. Continuava perfeitamente inerte.

– Meu Deus! Meu Deus! – exclamou a mulher, histericamente.

Marcio, somente nesse momento, temeu que estivesse passando dos limites naquela brincadeira e lembrou-se das palavras apreensivas de seu amigo. Mas, como já havia iniciado a anedota, pretendia continuar mais um pouco com a farsa. Só mais um pouco. Em alguns segundos, revelaria a simulação, embora ainda aguentasse ficar sem respirar por muito mais tempo.

Marcio, então, ouviu a mulher mexer apressadamente em sua bolsa, deixando cair vários objetos, até alcançar o celular.

– Alô! Alô! – gritou ela. – Amor, amor, você não vai acreditar! O Marcio morreu! É, é, é, amor, é isso mesmo o que você ouviu! O Marcio morreu! Acabou o nosso esconderijo! Eu nem estou acreditando! Vem logo para cá para a gente comemorar!

E Marcio permaneceu imóvel.

sábado, 1 de novembro de 2014

O conto do esquecimento do riso

Esse blog sofreu um baque de realidade, com meu diário sobre a Coreia do Norte. Para retomar o seguro campo da literatura, vou contar a história do garçom Alencar. Quando foi chamado na sala do gerente do restaurante, ele pensava que lhe seria oferecida uma promoção. Trabalhava naquele estabelecimento já havia algum tempo e nenhuma razão lhe fazia crer que seria repreendido pelo chefe. Entretanto, ao entrar, notou um mau semblante nos olhos do empregador.

 Bom dia, senhor.
 Bom dia, Alencar. Por favor, sente-se.

Hesitante, Alencar se sentou numa cadeira desconfortável, embora bonita, em frente ao gerente, dele separado por uma mesa entulhada de planilhas e papéis.

 Alencar, te chamo aqui porque tenho recebido algumas reclamações quanto ao seu tratamento para com os clientes.

Alencar olhou o outro como se não acreditasse no que estava ouvindo, arregalando levemente os olhos.

 Você sabe, Alencar, que você é um dos funcionários mais pontuais e assíduos desse estabelecimento, mas esses não são os únicos fatores envolvidos numa avaliação. É, portanto, com pesar que te comunico que não poderemos mais contar com os seus serviços.

Alencar sentiu um forte bater do coração e tentou, com a voz desequilibrada, responder:

 Mas, senhor... Deve haver algum engano. Sempre trato os clientes com a máxima cordialidade, com o maior respeito possível...
 Não são as informações que tenho, infelizmente.
 Senhor, insisto que deve haver algum engano!
 Alencar, veja bem: reclamações isoladas, todos os outros funcionários têm. O problema é que, com relação a você, o número de queixas foi muito alto. Foram vários os clientes que reclamaram da mesma coisa.
 Mas como isso é possível? Estou sempre a sorrir para os fregueses!
 Ah, sim, isso eles disseram. Todos falaram que você já chega em suas mesas sorrindo, antes mesmo de perguntar qual pedido eles desejam.
 Pois e então?
 Como “e então”? O problema é justamente esse, Alencar. Por que razão vocês lhes chega sorrindo?
 Para ser simpático, para ser agradável! Quem não gosta de sorrisos?
 Quem gosta deles?

Alencar abriu a boca, maquinalmente, para responder ao gerente, mas não pôde. Não sabia o que dizer. Conseguiu apenas balbuciar:

 Que pessoas são essas que não gostam de sorrisos?
 Alencar, meu caro, essas pessoas não desgostam de sorrisos. O que lhes aborrece são os sorrisos falsos. Por que você chega à mesa sorrindo? Para ser agradável, você responde. Mas isso em nada é agradável. O sorriso pelo sorriso, sem vontade de sorrir, não apenas é desagradável como é ofensivo. Se você visse graça em alguma coisa, se algo lhe despertasse o riso ou se – essas ocasiões são raras, mas existem – você estivesse tão feliz que não conseguisse conter o riso, tudo bem, esse sorriso é aceitável e, mais do que isso, é elogiável. É contagiante, até! Mas sabemos que não é o caso. Você não chega numa mesa sorrindo porque está imensamente feliz – ao menos, não todos os dias. E tampouco há coisas engraçadas que te façam rir tanto. Se, ao menos, você olhasse para o cliente e risse da orelha de abano, do nariz avantajado ou da cara feia daquele que está sentado, da mulher horrorosa que acompanha o homem ou vice-versa, estou certo de que ninguém se sentiria insultado. Você pode rir diretamente de alguém, mas rir com gosto, com sinceridade. Já esse sorriso forçado, quase condescendente, irrita e ofende. É como abrir uma revista e ver falsos sorrisos estampados em modelos, pessoas em festas, gente que está apenas posando para aquele clique. Por que elas riem? Todos sabemos que, logo após o flash da câmera estourar, o sorriso desaparece. Da mesma forma, qualquer cliente tem a certeza de que, assim que você dá as costas com os pedidos anotados, seu sorriso também some. Então, por que rir? Para ser agradável? Não, você ri para forçar uma simpatia que não é natural. Você ofende os clientes.

Alencar ficou estupefato com aquele longo discurso. Levantou-se da cadeira e emitiu um breve sorriso para o chefe.

 Não ria, Alencar! – esbravejou o gerente. – Você não ouviu nada do que eu falei? Você não está feliz. Ao contrário, você está triste porque acabou de perder o emprego! Você não está vendo nada engraçado. Então, para que rir?
 Para mostrar que não estou chateado com o senhor...
 Alencar, você vai mostrar melhor isso se seguir meus conselhos. Em futuros empregos e na vida. Não ria sem vontade, Alencar. O riso não serve para mostrar nada. O riso não é o meio, ele é o fim.

Encucado com essa última frase, Alencar foi-se embora, sem mais proferir nenhuma palavra nem olhar para o gerente. Despediu-se rapidamente dos colegas com quem encontrou pelo caminho e seguiu para casa. Mas não iria diretamente. Não tinha coragem de contar a notícia para a esposa. Preferiu perambular por algum tempo pela cidade.

Logo de cara, viu um palhaço na praça do centro do bairro, fazendo malabarismos e, posteriormente, passando um chapéu para recolher dinheiro. Teve vontade de pagar algo àquele pobre infeliz, mas, como estava agora desempregado, preferiu não. Logo após a primeira rodada de malabarismos e a passada de chapéu, o palhaço voltou a fazer novas graças. Chamou uma menininha que estava por perto para o meio da praça e ficou a fazer caretas para ela. A cada reação da criança, a plateia em volta gargalhava. Alencar olhou estupefato para aquilo. No fundo, não havia graça nenhuma. Que havia de risível numa criança que se espanta com as caretas de um palhaço? Em outros tempos, riria, para mostrar ao palhaço que entendia o trabalho dele e que sabia que aquilo, supostamente, era ou deveria ser engraçado. Mas não era. E não podia tratar o riso como um meio. O riso é o fim.

Lutando contra o tumulto, virou-se de costas para o espetáculo circense e caminhou um pouco mais. Por onde passava, via risos, mas sabia que ninguém estava feliz de estar lá, no sol do meio da tarde, em um dos bairros mais agitados, quentes e poluídos da cidade. Então, por que riam? Numa loja, a imagem de uma modelo sorridente anunciava a marca de um sapato; na porta da loja em frente, um vendedor sorria e chamava os clientes para adentrarem; na outra calçada, uma mulher, com uniforme de um banco, ria e perguntava quem desejava contrair um empréstimo pelos menores juros do mercado; o camelô ria; o vendedor de bala gritava “dez por um real”, também com um sorriso, e, por fim, o caso mais trágico: uma senhora havia posto algumas mercadorias de artesanato numa toalha e as expunha no chão da rua, que, por ser muito estreita, era parcialmente bloqueada pelos produtos da vendedora. Com isso, transeuntes mais apressados cortavam as pessoas à sua frente passando por cima da toalha e, ocasionalmente, chutando alguma mercadoria. Mas Alencar não podia crer: a vendedora ria!

Nem todos esses risos eram tão explícitos – tampouco contínuos –, mas eram suficientemente denunciadores da farsa que era tudo aquilo. Não havia por que rirem nem por um segundo, no meio daquele caos devastador. Alencar se sentia exatamente como os fregueses que o denunciaram: ofendido com sorrisos tão forçados, tão falsos, os quais ele nunca havia reparado. Mas nem todos sorriam: as crianças não riam, os mendigos não riam, os senhores aposentados não riam. Só não sorriam aqueles que não precisavam, a princípio, agradar a ninguém. Por outro lado, quase todos os que riam trabalhavam com o comércio.

O que eram esses risos, então, senão frutos da necessidade de lucro? Alencar não podia conceber que o sorriso fosse uma mera invenção capitalista e, mais atordoado do que nunca, resolveu, enfim, voltar para casa. No caminho, seu celular tocou e, no outro lado da linha, estava uma atendente de telemarketing, anunciando algum produto telefônico. Ele não podia vê-la, mas sentiu o sorriso falso pelo mero tom de sua voz. Seu simples “bom dia” denunciava um sorriso inconsistente e forçado. Alencar não apenas não comprou o produto como desligou o celular atonitamente.

Chegou em casa e seu filho, de uns sete anos de idade, veio recebê-lo. O garoto sorria e abraçava o pai, mas Alencar, que sempre esteve certo de que o filho ficava efetivamente feliz quando ele voltava do trabalho, agora já não tinha mais certeza. Até que ponto o menino tinha sido treinado para isso? Logo atrás, veio a esposa, com o mesmo sorriso, o mesmo abraço, o mesmo gesto. Alencar pensou ter desvendado o segredo: a mãe treinara o garoto para ser mais um portador do falso sorriso. No caso deles, era tudo pior, pois não trabalhavam com comércio, não visavam ao lucro, mas usavam o falso sorriso como meio para demonstrarem um afeto inexistente. Não duvidava do amor dos dois nem nada disso. Sabia que ambos o amavam, mas quem fica tão feliz – a ponto de rir! – quando o pai ou o esposo volta do trabalho? Um dia ou outro, vá lá – mas sempre? O sorriso havia sido transformado num triste ritual familiar do qual o próprio Alencar fizera parte por anos. Mas, dessa vez, não. Dessa vez, não retribuiu o gesto. Quando os dois indagaram por que Alencar respondia com taciturnidade àqueles sorrisos, ele usou a demissão do emprego como desculpa para a sua infelicidade e, portanto, para a ausência de riso. Mas não estava exatamente infeliz. Estava descontente, é claro, mas o sentimento prevalecente não era esse, mas, sim, o de descoberta. É verdade que esta revelação ocorreu de forma dolorosa, mas, pelo menos, agora, Alencar é consciente da farsa do sorriso. E repetia para si mesmo que o riso não deve ser um meio, mas o fim.
       
Alencar nunca mais sorriu de novo.