segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Atuação

A jovem estudante de teatro sofria de um mal crônico: tudo de ruim que pensava acontecia.

Quando viu seu pai hospitalizado, pensou que ele fosse morrer: ele morreu. Ao se apresentar pela primeira vez como protagonista de uma peça, pensou que fosse fazer alguma besteira: escorregou na cena mais importante e a dor nas costas a impediu de dizer sua fala. Quando apareceu a oportunidade de atuar em outra peça, pensou ironicamente: “Agora, só falta eu ficar doente”. Ficou e teve que ser substituída. Por fim, ao viajar de carro com outros jovens atores, imaginou que o carro poderia bater e ele, de fato, derrapou, se chocou contra a montanha e, embora ela não tenha sofrido nada, três de seus quatro colegas morreram. 

Mais exemplos não faltam. Esses foram apenas os mais trágicos.

Um dia, conversando a esse respeito com sua mãe, esta lhe disse que, quando pensamos em algo ruim, é natural que tal aconteça. Segundo ela, os pensamentos têm força que desconhecemos. A jovem atriz deveria, portanto, combater essas más imaginações e pensar em coisas boas, sempre em coisas boas, nunca nem sequer cogitar o fracasso. Só assim o êxito viria.

Logo no dia posterior, resolveu pôr em prática os conselhos da mãe. Enquanto caminhava rumo à sua aula de teatro, ia pensando que era uma atriz de sucesso, reconhecida, constantemente aplaudida de pé, disputada para protagonizar diversos papéis, não apenas no país como também no exterior, que envelhecia como toda mulher, mas sem perder a graça e a beleza da mocidade, sem deixar de ser cobiçada para inúmeras personagens importantes.

Seu raciocínio foi tão longe que não prestou atenção ao atravessar a rua. Foi atropelada por um ônibus e morreu.

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