quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Plataformas do metrô

O que separa a plataforma da direita da plataforma da esquerda
é muito mais que os vagões no meio.
Se uma é sentido sul e outra é sentido norte,
uma é sentido vida e outra é sentido morte.
Uma é o sentido da vida e a outra é também.
E esse sentido das coisas ninguém pode ou não quer ver.
Sentido, então, fico eu, triste e perdido,
pois parece tão óbvio:
o significado das coisas está numa estação de metrô.

Se o sol nasce numa plataforma,
em não muitas horas, se porá na outra,
para, então, nascer o outro sol em mim.
E as batidas em meu peito se tornarão mais audíveis
E os carinhos de tuas mãos se mostrarão mais temíveis,
pois na manhã seguinte aguarda-me outra vez a estação de metrô.
E se tuas mãos eu não mais tiver,
toda hora será como quando nasce o sol:
na plataforma sentido morte.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O ônibus, a gorda e a festa

Todo ônibus laranja que passava era o 433. Ele não me servia, me deixava longe de casa, além de dar uma volta descomunal pelo Rio de Janeiro. Estava havia 50 minutos esperando pelo 432, em pé no lotado ponto em frente ao shopping Rio Sul, suando sob um sol de quase 40 graus, embora já caísse a tarde. Aquilo me irritava, eu inspirava profundamente para poder me controlar. Se, ao menos, o 432 fosse o único ônibus laranja, mas não! Tinha o maldito 433, da mesma empresa, com o mesmo “Vila Isabel” no painel frontal. A cada ônibus laranja que eu via no horizonte, a cada 433, a cada esperança perdida, meu coração só batia mais forte e a raiva aumentava. Caso se completasse uma hora de espera, eu já me tinha decidido a pegar o 433 mesmo e dane-se! Eu faria a tour pelo Rio, desceria longe de casa e iria andando... Tudo era melhor do que aquela agonia.

Passada essa hora, foram mais dez minutos sem nenhum ônibus laranja. Foi aí que, enfim, vi o 432! O sentimento, que poderia ser de alívio, foi de mais raiva ainda. Tive que ir quase para o meio da pista, a fim de evitar que o motorista cortasse por fora dos ônibus já parados no ponto. Nisso, dei uns encontrões, recebi outros, corri entre táxis e, quando, por fim, o motorista parou, tive que pôr minha mochila em um só ombro para conseguir subir. Ônibus lotado, é claro, provavelmente de pessoas que esperaram tanto quanto eu, tão infelizes quanto eu, tão furiosas quanto eu, tão suadas – de calor, de raiva, vai saber – quanto eu! 

Por uma fresta da janela, pude ver as peruas saindo do Rio Sul com sacolas de compras e imediatamente quis que todas morressem. O ódio aumentou quando o ônibus parou no ponto da UFRJ e uns vinte estudantes entraram. Era fisicamente impossível cabermos todos. Minha coluna latejava, minhas pernas fraquejavam, meus braços tentavam desesperadamente alcançar um ferro de apoio. Com o dedo mindinho, consegui me equilibrar na roleta, onde eu estava espremido. Eu precisava sair de lá, respirar, pensei que fosse passar mal. Mas, se passasse, não seria de outra coisa senão raiva.

Na Praia de Botafogo, o ônibus parou. Congestionamento. De Botafogo até o Santa Bárbara, levei 40 minutos. Isso era todo dia, isso não podia ser vida. Eu precisava de um carro. Quando esse pensamento me veio à mente, imediatamente concluí: se tivesse um veículo próprio, não estaria espremido. Só isso. Continuaria no trânsito de qualquer forma e ainda teria o infortúnio da direção. Ah, também não precisaria esperar tanto tempo na parada, mas me estressaria com outras coisas, como estacionamento, por exemplo. Não. Melhor ter estresse semelhante, mas pagando apenas R$ 2,50.

Conforme os pensamentos fluíam, as pessoas iam descendo e o ônibus se esvaziava. Consegui sentar, pus-me a refletir na janela, vendo a paisagem, e disso eu gostava. Acalmava-me olhar os vultos passando pela janela, ainda que a 20 km/h. E mais pensamentos chegavam a mim.

Pensei no tamanho do universo. Digo: pensar, não pensei, porque não sei qual é o tamanho do universo. Mas sei que é grande. O universo, a galáxia, o sistema solar, o planeta, o hemisfério, o continente, o país, o estado, a cidade... É tudo tão maior que eu. Que importância tenho eu para Deus? Nenhuma, é claro. Quando eu falo em Deus, quero dizer isso: a grandiosidade das coisas. Eu queria que existisse um Deus consciente, que conversasse comigo, que me respondesse, até mesmo me punisse. Mas não creio que haja. Deus deve ser é isso mesmo: a enormidade das coisas que desconhecem minha existência, a existência do shopping, das peruas do shopping, desse ônibus, do 432, do 433, dessa merda toda sem nenhuma importância. Por que vou me irritar com coisas tão supérfluas perante Ele? Ou será que me irrito justamente por elas fazerem parte do meu mundinho, exatamente porque eu não teria nenhuma capacidade de me rebelar contra o Grande Deus em sua desconhecida grandiosidade?

Com esses pensamentos, sentia-me menos irritado, mas não menos infeliz. O que me consolava eram minhas férias, que se iniciariam uma semana depois. Viajar, ficar longe desse inferno de ônibus, trabalho, trânsito!


– Próxima semana eu entro de férias! – disse-me uma mulher ao meu lado, como se imitando meus pensamentos. Tomei um susto e, dada a falta de contexto daquela afirmação, pus-me a ignorá-la. Acontece que, quando uma gorda com meio quilo de blush começa um assunto, está aquém da minha habilidade fazer com que ela se cale. Eu não respondi, mas ela persistiu... E contou que iria não sei aonde para visitar a filha, que não via os filhos havia muito tempo, que não sei o que nem o que lá. 

– E você? Trabalha onde? – me perguntou. Que inferno! Para piorar, havia esquecido meus fones de ouvido em casa! – Meu trabalho é sofrível! – ela me disse, vendo que eu não respondia à sua pergunta. E desandou novamente a tagarelar. Se essa falação tivesse ocorrido quando eu esperava no ponto de ônibus ou quando estava tomando cotovelada no nariz com o veículo amarrotado de gente, talvez eu a tivesse matado. Sorte dela que eu estava já mais calmo.

– Sou humilhada pelo meu chefe todo dia – ela continuou seu monólogo. – Ele me xinga, me desrespeita, me assedia moral e sexualmente. – “Sexualmente!”, eu pensei. Meu Deus, que gosto esse cara tem! – Sou uma boa trabalhadora, não sei por que ele faz isso comigo. A verdade é que não é só comigo. Sabe? Vou te contar uma coisa... – “Não me conte!” – Ainda que o chefe fosse uma boa pessoa, o trabalho seria sofrível. É uma função banal mesmo. Mas, sendo o chefe ruim, meu Deus! Não consigo pensar em pior conjuntura. – “Nem eu, minha senhora, nem eu!” – E já são sete anos nessa firma! Sete anos naquele mesmo escritório empoeirado, mal cheiroso, sendo humilhada diariamente. Mas valeu a pena. Vou rever minha filha depois de muitos anos! Pude juntar dinheiro graças a esse meu emprego que, apesar de asqueroso, me possibilitou essa viagem.

– E vale a pena, minha senhora? – Meu Deus, por que eu fui falar? – Vale a pena passar sete anos de sofrimento para, em troca, ter quinze ou trinta dias de felicidade?

– Nem quinze nem trinta. Vinte. Ficarei vinte dias com minha filha. Ah, vale a pena, sim! Quero dizer... Matematicamente, não vale a pena, é claro. São sete anos ruins contra vinte dias bons. Mas a vida não é assim? Quem é o felizardo que tem mais dias bons do que ruins?

Meu Deus do céu! Havia minutos eu estava justamente comemorando as minhas férias, que também serão de um período irrisório perante a infinidade do tempo de sofrimento cotidiano, e agora estou a julgar aquela pobre mulher? Meu Deus!

(Aliás, não paro de falar “Meu Deus”, é mania minha. Já disse não acreditar no Deus em que eu gostaria de acreditar. Acho que, justamente por isso, eu o invoco a todo momento...)

– A vida é uma festa! – ela me disse, peremptoriamente. Estranhei aquela afirmação, porque, a meu ver, contradizia o teor pessimista do que ela falava até então.

– Como a vida é uma festa? – perguntei.

– Ora, você já organizou uma festa? É exatamente isso: você passa meses se descabelando para escolher o lugar, as comidas, as músicas, os convidados, enfim, você passa um longo tempo desesperado com os preparativos. Mas a festa em si dura, no máximo, uma noite. Você se estressa com o fim de se acalmar. Você sofre para ser feliz.

Levantei-me imediatamente e sinalizei que queria descer na próxima parada. Parabéns, gorda, você destruiu minhas férias! Ainda faltavam cinco pontos para o ponto da minha casa, mas foda-se, eu iria a pé! Para descer aqui, eu poderia ter pego o 433. Uma hora e dez minutos esperando pelo 432 à toa. Por causa de uma gorda que não sabe espalhar o blush na cara. Uma gorda-palhaça. Uma gorda enviada pelo diabo para me mostrar o terrível significado de nossa existência.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A parede

Ele voava com magnitude pelos céus da cidade.

Não. Não se trata de outras linhas de um escritor fracassado por não conseguir tirar os pés do chão, depositando toda a sua frustração em seu personagem (embora muito esse escritor fosse gostar de voar), mas, sim, de uma queda. O que importa agora não são os muitos prédios abaixo minúsculos, o vasto campo aberto por vários quarteirões, as gotas de chuva disputando espaço entre si nem os pássaros perdidos em suas próprias liberdades, mas o que vem após. A queda. Puxaram-lhe pelas pernas e ele caiu em pé em um cubículo onde só ele cabia, certeiramente, como um livro empoeirado em seu único espaço vertical na estante.

Sentia suas costas em uma superfície fria, dando-lhe a impressão de estar nu. Porém, como enquanto voando vestia uma curta e fina camiseta e não havia agora espaço suficiente para abaixar sua cabeça e averiguar, não podia precisar sua vestimenta. Tentou com dificuldades se tatear e percebeu que, de fato, tiraram-lhe as roupas. Apavorado, tentou gritar, mas a parede encostada em seu nariz abafou-lhe. Tinha os olhos obrigatoriamente fixados nessa parede, uma vez que não conseguia mover praticamente nada de seu corpo. Vez ou outra tentava, sem mover a cabeça, deslocar sua visão para os lados, mas tudo que via eram outras paredes. Sentiu que morreria asfixiado em poucos segundos.

A parede era azul claro, com riscos brancos verticais separados por de três a quatro centímetros. Uma pequena falha na tinta podia ser percebida no lado um pouco mais esquerdo de sua visão, enquanto uma mancha de sujeira existia logo abaixo dessa minúscula ausência de tinta. Por mais que ele tentasse, não conseguia mover os músculos de seus olhos a ponto de ver o que tinha nos cantos mais extremos, portanto se conteve em apreciar o restante da paisagem que lhe era permitido.
Acima de sua visão central, um grande borrão cinza se fazia notar, acompanhado por outros borrões menores, da mesma coloração. Mais abaixo e à direita, riscos pretos, finos e verticais também quebravam a predominância do azul que, agora, estranhamente, nem parecia tão preponderante assim. Enfim, o borrão cinza se espalhou ameaçadoramente e o azul passou a ser o detalhe. Mas havia mais coisas, mais cores que ele não conseguia ver, pois não conseguia mexer seu pescoço. E, na verdade, nem queria.

domingo, 24 de novembro de 2013

O morto e os cegos

Um odor ruim, embora suave,
emana na cidade.
Do solo aos ares,
em todos os lugares,
a náusea é inevitável.

Alguns sabem tratar-se de um cadáver,
mas a maioria não os crê,
nem mesmo pode ver
o homem morto esticado
na avenida principal da metrópole.

O trânsito é caótico
e transeuntes se acotovelam.
Há menos espaço nas ruas,
pois há um defunto de pernas nuas,
estirado sem ninguém o notar.

Não há sangue, é claro.
Se houvesse, já teriam reparado
no infeliz fedorento putrificado.
É morte limpa, mas incomoda
os cegos com hora marcada.

Verdade seja dita:
há aqueles que conhecem a origem
do desconforto, do mal estar e do fedor.
Mas não querem num morto as mãos pôr
nem ganham crença ao contarem o que veem.

O engraçado é que naquele lugar,
onde jaz o falecido diminuto,
ora ou outra tropeça um apressado resoluto,
que deduz ter sido uma pedra ou algo que a valha
o motivo de sua queda, mas jamais um defunto!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O apressado e o precavido

O apressado e o precavido foram os dois últimos integrantes de sua família, pela qual o anjo e o diabo sempre travaram ardorosos duelos. Cada um destes conta vantagem para o seu lado, mas, como este narrador não tem especial apreço por nenhuma das partes, devo dizer que se encontram em um tipo de empate técnico, onde se algum leva vantagem sobre o outro, é por uma margem desprezível.

Geralmente, se o anjo vencia a disputa sobre uma geração da família, o diabo conseguia maior controle sobre os descendentes. Isto quando em uma mesma prole os dois não possuíam forças análogas. E era esta a conjuntura da geração do precavido e do apressado, onde sobre o primeiro, o anjo possuía maior influência, enquanto ao segundo agradavam mais as ideias do diabo.

O apressado era mais velho. Tinha como lema principal: “Viva cada dia da sua vida como se fosse o último”. O caçula, mais bem comportado e desejoso de moldar sua personalidade da forma mais diferente possível da do irmão, preferia a frase: “Melhor prevenir do que remediar”. Quando mais jovens, aliás, viviam disputando por ditos populares. Se, por exemplo, um dizia que “a pressa é a inimiga da perfeição”, o outro logo falava que não se deve “deixar para fazer amanhã o que se pode fazer hoje”.

O apressado nunca se casou. Sempre ouviu o diabo que sussurrava em seus ouvidos e lhe oferecia orgias e amores efêmeros. Desprezava todo e qualquer tipo de paixão romântica; não concebia passar um pôr-do-sol inteiro de mãos dadas com uma garota nem desperdiçar um dia de chuva em casa, vendo filme ou descansando, enquanto poderia estar lá fora a se molhar. Não era insensível, que isso fique claro. Ao contrário, apaixonava-se constantemente, diariamente. Era um entusiasta da vida, das mulheres e não tratava nenhuma delas com pouco respeito nem mesmo com pouco amor. Mas estas paixões se iam com a mesma facilidade com que vinham.

O apressado tinha a convicção de que morreria cedo, o que era seu argumento único contra todos aqueles que lhe diziam que um amor faz falta para a eternidade, que um velho sem uma velha é certamente infeliz. “Não ficarei velho”, ele respondia, não só quanto à questão amorosa como também quanto à profissional. Teve muitos trabalhos, mas foi demitido da maioria deles. Insubordinado, desprezava a hierarquia das empresas por onde passou e possuía um baixo índice de assiduidade e pontualidade. Não era raro vê-lo nas praias jogando futebol na hora do expediente. Por isso, jamais conseguiu juntar uma quantia significativa de dinheiro, o que o fazia viver sempre no limite de sua pífia conta bancária. E, se perguntavam se ele não temia o futuro, uma vez que velhos gastam mais dinheiro que jovens (por ficarem mais facilmente doentes, segundo a lógica dessas pessoas), ele respondia, com o consentimento do diabo: “Não ficarei velho”.

O apressado, porém, errou. Ele ficou velho. Cumprimentou a morte várias vezes, mas ela só conseguiu levá-lo quando ele já era nonagenário. Antes disso, caiu de moto, brigou na rua, trocou tiros em confusões em boates, reagiu a assaltos e foi esfaqueado, mas... Permaneceu vivo. E a velhice foi muito mais terrível do que seus amigos lhe haviam alertado. A falta de uma companhia, de um amor não meramente passageiro, bateu-lhe no peito muito antes de seus 90 anos. Precisou entrar na casa dos 60 para perceber que aquela seria uma década inútil se vivesse sozinho. Até tentou se apaixonar, mas havia treinado seu coração para a independência, para a solidão. Quando os 70 anos chegaram, as dores já não mais eram apenas espirituais, mas também físicas. Não chega a ser surpresa o fato de um sujeito que foi tão poucas vezes ao médico em sua vida e que sempre tratou sua saúde com tamanho desdém, uma vez que acreditava que morreria cedo, ter atingido a marca dos 70 anos de modo tão debilitado.

O apressado constantemente tomava satisfações com o diabo, perguntando por que o escutou tanto. Mas o diabo aparecia com cada vez menos frequência, ao contrário do anjo, que costumava surgir para dizer: “Ah, se tivesses me ouvido!”

Tudo era agravado porque o apressado não tinha nenhuma verba e vivia dos favores financeiros que lhe prestavam os demais moradores da vila onde morava. Jamais cogitou chegar a essa humilhação: viver de esmola, sem nenhum amor e em uma cadeira de rodas. Sim, aos 80 anos, não conseguia mais se locomover. Dependia daqueles moradores também para tomar banho, se alimentar, fazer suas necessidades... Só aos 90 anos, graças a uma falência múltipla dos órgãos, teve seu desejo realizado e morreu. Muitas décadas depois do planejado.

O precavido foi seu oposto. Tão oposto que temos muito pouco a falar sobre ele. Peço que me desculpem pela assimetria de linhas destinadas ao precavido e ao apressado. Juro que não é por preferência pessoal.

O precavido trabalhou por toda a vida no mesmo lugar, aplicou desde cedo seu dinheiro e via sua fortuna crescer dia após dia. Era respeitado e conceituado profissionalmente, formado em duas faculdades e cursando mestrado, elogiado no meio acadêmico e com pretensões de prolongar seus estudos. Não bebia, não fumava e visitava seu médico periodicamente, realizando constantes exames de rotina.

Sua esposa foi sua primeira namorada. Era tão fiel, tão bom moço, que não seria difícil confundi-lo com o seu próprio mentor, o anjo. Não tinha um casamento de todo feliz, é verdade, mas não era culpa de sua mulher nem de seu amor por ela. Trabalhava e estudava muito, simplesmente. Passava entre 14 e 16 horas na rua, oscilando entre o emprego e a universidade, de forma a ter pouco tempo até mesmo para conversar com sua amada. Não se arrependia dessa vida, porém. Planejava ter filhos e, quando já possuísse uma boa quantia monetária, viria a recompensa: largaria seu trabalho e o trocaria por outro que exigisse menos de si.

O precavido não teve uma juventude feliz, justamente porque, ao contrário de seu irmão, pensava apenas no futuro. Sua vida consistia em possibilitar que os anos que estavam por vir fossem bons para ele e sua família. O anjo no ombro do precavido estava sempre muito orgulhoso. Em suma, pode-se dizer que o precavido desejava envelhecer com saúde (o que era sustentado pelas várias consultas médicas já citadas), com uma família bem constituída e uma aposentadoria alta, ainda que tudo isso ocasionasse sua infelicidade no tempo presente.

O que o precavido não esperava, contudo, era que fosse morrer tomando um tombo simples no centro da cidade, a única queda de sua vida, queda esta que lhe provocou um traumatismo craniano, antes de completar 30 anos de idade.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Uma história com final previsível

O pai falava que o filho deveria sempre acreditar em seus sonhos: tudo o que ele quisesse seria possível. Não era para o garoto ouvir o pessimismo dos outros; se ele confiasse em si mesmo, nada seria inalcançável. "Acredite, filho, você pode voar!"

Ele acreditou. Saltou da janela e morreu.

Opa!

Então, né. Há alguns anos escrevo uns contos doidos aê. Contos, poemas, romances etc. Tudo começou quando eu escrevia - ou pensava que escrevia - letras para uma banda de doom metal que nunca se concretizou, provavelmente porque eu não sei cantar nem tocar nada (se não fosse esse pequeno detalhe…) Cansado de deixar meus textos na gaveta - ou no HD -, fiz uma página no Recanto das Letras, mas acabei também me cansando de lá. Aqueles comentários do tipo "beijos, poeta" me davam nos nervos. A verdade é que nada me leva a crer que, aqui, também não haverá esses comentários, mas a esperança é a última que morre. Na verdade, acho que aqui não terá comentário nenhum, hehehe!

Há uns dois anos, também comecei a escrever sobre literatura num pequeno jornal de Brasília, chamado Lago Notícias. Ah, sim, moro em Brasília, embora tenha nascido, crescido e perdido a virgindade no Rio.

Como esse foi um post de apresentação, vou, em seguida, postar um miniconto, coisa pequena. Já gastei linhas demais falando abobrinha. Vamos ver se esse negócio de blog vai para frente…